CARTA ABERTA PARA PASTORES E LÍDERES
Deixa eu falar com você como editor, mas também como alguém que cresceu sentado em uma sala de Escola Bíblica Dominical.
Talvez você também tenha essa memória: cadeiras simples, uma Bíblia já bem marcada, um professor que não tinha grandes recursos — mas tinha convicção. E tinha tempo. Tempo para ensinar, ouvir, repetir, explicar de novo.
A Escola Bíblica Dominical sempre foi assim. Silenciosa. Constante. Fiel.
E, curiosamente, só agora ela ganhou um nome bonito nos papéis do Estado: Patrimônio Cultural Imaterial. Mas, entre nós, ela sempre foi patrimônio — só nunca precisou de placa para isso.
Antes da lei, já havia história
Quando o governo do Estado de São Paulo declarou a Escola Bíblica Dominical como Patrimônio Cultural, confesso: não me surpreendi.
Sorri. Respirei fundo. Pensei: demorou, mas chegou.
Porque, muito antes de qualquer lei, a EBD já alfabetizava, já formava caráter, já ensinava gente simples a pensar biblicamente sobre a vida. Em muitos lugares do Brasil, foi a primeira sala de aula. Em outros, foi o único espaço onde alguém aprendeu a ler, a ouvir, a respeitar.
E foi nesse chão — de salas simples e gente dedicada — que a Editora Cristã Evangélica nasceu. Aproveitando o pensamento, vamos voltar um pouco mais na história para compreendermos como que nascem as EBD’s.
Robert Raikes e o movimento que discipulou gerações

Talvez você não perceba, mas muitos dos modelos de ensino bíblico que usamos hoje começaram com a visão de um jornalista no século XVIII… estou falando de Robert Raikes, jornalista e filantropo inglês do século XVIII, reconhecido por organizar e popularizar o movimento das Escolas Dominicais. Vivendo em Gloucester, em meio aos impactos sociais da Revolução Industrial, Raikes observou a realidade de crianças que trabalhavam durante a semana, cresciam sem instrução formal e estavam expostas à marginalização. Sensibilizado por esse cenário, passou a reunir crianças aos domingos para ensiná-las a ler utilizando a Bíblia como texto-base, ao mesmo tempo em que transmitia princípios cristãos e orientações morais.
Embora iniciativas semelhantes já existissem anteriormente, foi a sistematização, a divulgação na imprensa e o modelo organizado promovido por Raikes que deram amplitude ao movimento. A proposta rapidamente se espalhou pela Inglaterra e, posteriormente, por outros países, tornando-se um dos maiores movimentos educacionais voluntários da história. Seu legado ultrapassa a alfabetização bíblica: ele ajudou a consolidar a compreensão de que a igreja também exerce papel formativo na sociedade, estruturando o ensino cristão de maneira intencional, contínua e transformadora.
Uma prática que atravessou gerações e continua formando vidas
Ao longo dos séculos, a Escola Bíblica Dominical deixou marcas que evidenciam sua relevância. Em diferentes países, ela ajudou a alfabetizar crianças quando a educação formal ainda era inacessível para muitos. Em diversos contextos missionários, tornou-se a porta de entrada para o estudo sistemático das Escrituras. Em igrejas pequenas e grandes centros urbanos, formou líderes, professores, pastores e famílias inteiras que aprenderam, desde cedo, a organizar a fé, compreender a Bíblia e viver de maneira coerente com ela. Não estamos falando apenas de um programa dominical, mas de um movimento que atravessou culturas e gerações.
E talvez o sinal mais claro de sua necessidade seja este: sempre que a Igreja deseja fortalecer o discipulado, ela retorna ao ensino estruturado da Palavra. A EBD cria regularidade, profundidade e continuidade na formação cristã. Ela oferece método onde antes havia improviso, constância onde havia apenas boas intenções. Em um mundo de mensagens rápidas e superficiais, a prática semanal de estudar a Escritura em comunidade continua sendo um dos instrumentos mais sólidos para formar convicções duradouras. Isso não é apenas tradição, é sabedoria testada pelo tempo.
Três pastores, alguns papéis e uma ideia simples
Nossa história não começa em uma grande sala de reuniões. Começa com três pastores, amigos, incomodados com uma pergunta bem prática: “Como podemos ensinar melhor a Bíblia ao nosso povo?”
Não havia estratégia de marketing. Não havia plano de expansão. Havia apenas a consciência de que a Escola Bíblica Dominical merecia ser bem servida. O primeiro material não foi feito para “vender”.
Foi feito para ajudar. Para organizar o ensino. Para dar segurança ao professor que, todo domingo, se colocava diante de crianças, jovens e adultos com a Bíblia aberta e o coração responsável.
E, quando servimos bem, algo curioso acontece: outras pessoas pedem ajuda também.
Conheça a Jornada que moldou a nossa missão!
A EBD não é improviso — nunca foi
Com o tempo, aprendemos algo que se tornou convicção editorial: a Escola Bíblica Dominical não é um encontro aleatório. Ela é método. Existe progressão. Existe repetição. Existe cuidado com a idade, com a linguagem, com o tempo de aprendizado. Existe o professor como mediador, não como animador. Existe a Bíblia como texto central, não como pano de fundo.
Talvez por isso ela tenha atravessado décadas sem perder relevância. Métodos sobrevivem. Modismos passam.
Cada revista carrega uma responsabilidade
Quem está de fora vê uma revista. Quem está dentro sabe: vê uma sala inteira. Cada lição escrita carrega perguntas silenciosas:
- Isso está fiel ao texto bíblico?
- Isso ajuda o professor a ensinar melhor?
- Isso respeita quem está aprendendo?
- Isso forma ou apenas informa?
Ao longo de mais de cinquenta anos, essa pergunta nos acompanhou. E continua acompanhando. Porque ensinar a Bíblia nunca foi — e nunca será — tarefa leve.
Quando o Estado reconhece, nós lembramos
A lei que reconhece a Escola Bíblica Dominical como patrimônio cultural não muda o que fazemos.
Mas confirma por que fazemos.
Ela nos lembra que aquilo que acontece todo domingo, de forma discreta, tem impacto público. Forma cidadãos. Forma famílias. Forma comunidades mais responsáveis.
A EBD sempre foi um serviço prestado ao Brasil — mesmo sem esse nome.
Patrimônio vivo não fica em vitrine
E aqui vai algo importante: patrimônio não é museu.
A Escola Bíblica Dominical só continua viva porque há professores estudando durante a semana, revisando lições, orando por seus alunos, preparando aulas com cuidado. Porque há editoras, igrejas e lideranças que se recusam a tratar o ensino bíblico como algo descartável.
Nosso compromisso, como editora, nunca foi congelar a EBD no passado.
Foi servir a sua continuidade. Com método. Com clareza. Com respeito.
Se você ensina, você também faz parte dessa história
Talvez você seja professor de crianças. Talvez de jovens. Talvez de adultos.
Talvez você nunca tenha pensado nisso, mas você é parte desse patrimônio vivo. Cada aula preparada, cada explicação paciente, cada domingo de fidelidade constrói algo que atravessa gerações.
Nós seguimos aqui para isso: para colocar bons materiais nas suas mãos, para honrar o seu trabalho silencioso e para garantir que a Escola Bíblica Dominical continue sendo aquilo que sempre foi — um lugar onde a Palavra é ensinada com seriedade e amor.
Se você como eu, é apaixonado pela Escola Bíblica e o Ensino da Palavra, deixe seu comentário aqui embaixo e não se esqueça de sempre falar onde quer que vá #EuAcreditonaEscolaBíblica.
Com gratidão,
Editor-chefe
Editora Cristã Evangélica




